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Eles não estão só “fazendo gênero”: algumas reflexões

Por Espaço PHD

12.01.2018

 

 

 

A palavra gênero tem suscitado debates e discussões que vão muito além do(s) seu(s) conceito(s). As razões para a preocupação, no entanto, ainda parecem desconhecidas de grande parte da opinião pública. Por que uma palavra, claramente inofensiva, passou a receber tanta aversão?

 

A aversão advém, em parte, pela dificuldade de se entender, ou tolerar, as mudanças sociais que os estudos sobre gênero e sexualidade, ainda que modestamente, têm desencadeado. Para fins didáticos, mas, simplistas, faremos uma breve elucidação sobre sexo e gênero.

 

Os seres humanos são dotados de características biológicas que os enquadram como indivíduos do sexo masculino, ou feminino, ou intersexuais (pessoas que nascem com uma anatomia reprodutiva, ou sexual, que não se encaixa na definição típica de sexo). Portanto, o sexo é definido geneticamente. Já o gênero, grosso modo, é uma construção sócio-histórica, aquilo que diferencia socialmente as pessoas, seus papéis, suas identidades, suas sexualidades, ou seja, as possibilidades que vão além do binarismo macho-fêmea; homem-mulher; masculino-feminino.

 

Simples, não? Nem tanto! Utilizando um ditado popular: “prego que se destaca leva martelada”, a abertura para discursos e lutas de indivíduos que se colocam contra essa lógica binária, e esta divisão clássica, não passaria ilesa em uma sociedade tradicional e sexista. Como uma tentativa de minorar essas questões surge a terminologia “ideologia de gênero”.

 

Acredita-se que o uso desse termo que fundamenta um discurso, essencialmente, perverso, só tem atravancado avanços, visto que, no senso comum, “ideologia” pode significar uma opinião, uma visão de mundo, uma doutrina, etc. Ao utilizar o termo “ideologia de gênero”, pode-se entender que os defensores e estudiosos do assunto, têm a intenção de doutrinar as pessoas, de incitar transgressões, ou incutir pensamentos que reproduzam determinado comportamento de gênero e/ou sexual. 

 

Assim sendo, atualmente, ponderar sobre questões de gênero não apenas transgride uma configuração (in)flexível de se pensar práticas sociais, como também, abre uma brecha para lutas de sujeitos e classes marginalizadas que, aos poucos, vêm construído linhas de fuga para séculos de invisibilidade social, e política.

 

Desse modo, faz-se relevante refletir sobre as (im)possibilidades que a cultura coloca para as questões que tangenciam gênero e sexualidade, mas acima de tudo, promover debates que destaquem diversidade e engendrem as práticas que nos constituem como homens e mulheres, pois, nós não estamos aqui só “fazendo gênero”.

 

Fabricia Rodrigues Amorim Aride

Psicóloga e Mestre em Psicologia, especialista em docência e gestão empresarial, docente e psicóloga clínica na Espaço Elenco

 

 

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