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Lacerda Escreve ao Poeta Aniversariante

Por Higner Mansur

12.08.2017

 

 

 

 

Ano de 1961, seis de julho, Newton Braga estava no Rio de Janeiro, desde fins de 1958, para onde se retirara a contragosto, segundo informam seus contemporâneos. Continuou a escrever por lá, então Capital Federal. O que poucos sabem é que, ao lado de jornalista e escritor, existia o Newton Braga Chefe do Serviço de Informação Sanitária da Secretaria Geral de Saúde do Estado da Guanabara, Estado que, depois, viria se unir aos demais municípios do Estado do Rio de Janeiro.

 

Sua passagem pelo serviço público do Estado da Guanabara não costuma aparecer nas biografias do grande Cachoeirense e, para mim, veio à tona quando recebi cópia de uma carta de despedida que lhe enviara o Governador Carlos Lacerda, que assegurou-lhe que: “não se esquecerá os bons serviços que, com competência e exação Vossa Senhoria prestou”.

 

Pelo que conheço da vida pública de Carlos Lacerda, o maior dos governadores da Guanabara e Rio de Janeiro, ele não era de jogar conversa fora, muito menos escrever “abobrinha”. A carta que aqui reproduzo – com assinatura de próprio punho de Lacerda – é mais um exemplo da grandeza de Newton, se é que seja necessário mais exemplos bons desse luminar. Newton Braga está completando 106 anos de idade neste 11 de agosto de 2017 e continua com sua trajetória iluminada entre nós – de Cachoeiro e do mundo.

 

 

O Cronista escreve a Gil Gonçalves

 

Ao escrever, em inicio de 1971, Rubem Braga acabou por dar rumo ao que ele e sua família queriam para a hoje denominada também oficialmente “Casa dos Braga”. O texto onde está a referência, na carta, é este:

 

Creio que houve aí, na Câmara Municipal, um projeto aprovado de compra de nossa casa para nela se fazer um museu municipal, ou coisa parecida.

 

Eu naturalmente vejo isso com a maior simpatia; o problema está no dinheiro para reformar a casa e manter o Museu. De minha parte eu teria prazer em dar coisas que pudessem interessar, como objetos de meu pai e do Newton, meu retrato feito pelo Portinari, etc.... Creio que todas as famílias antigas teriam prazer em dar recordações. Vi um museu desses em Paranaguá, com velhas fotos, móveis, etc.... que era uma beleza. O nosso museu devia, aliás, abarcar todo o sul do Estado, pois o Município abrangia praticamente todo ele. Enfim, você que está aí é quem pode avaliar as possibilidades de tudo isso, com o novo prefeito, que não conheço. Em janeiro do ano passado conheci ligeiramente o que vai ser Governador, e dele tive excelente impressão.

 

Bem, velho Gil, um grande abraço para você e os seus. A qualquer momento aparecerei por aí. Saudades do Rubem – Barão da Torre, 42 – Cobertura – Rio”.

 

A carta de Rubem ao amigo Gil, de 18 de janeiro de 1971, ficou guardada em meus arquivos por anos e a publiquei em agosto de 2013. Pensava, naquela ocasião, que era cópia. Não era, é o original bem conservado e amarelado. Agora publico-a novamente, aproveitando que o Governo do Estado do Espírito Santo acaba de presentear Cachoeiro, com a casa arrumada tal qual queria Rubem.

 

Amigo de infância de Gil Gonçalves, a amizade perdurou por toda a vida. Foi através de “Seo” Gil, guardião da memória fotográfica de Cachoeiro, que conheci pessoalmente Rubem Braga.

 

O Prefeito que estava para tomar posse em 31 de janeiro de 1971 é Hélio Carlos Manhães. Mais de 45 anos após o desejo do Rubem, o imóvel da Rua 25 de Março transformou-se na Casa dos Braga, praticamente como ele queria.

 

Da última vez que transcrevi a carta, aqui mesmo (2013), eu lamentava: “Pena que a casa esteja sempre deteriorada, mas o que há de se fazer!?”. Foi feito; o Governador Paulo Hartung cumpriu a palavra e eu, que nada tenho a ver com obras, também saúdo esse templo da Cultura, da História e das Tradições de nossa terra.

 

Faça uma visita – a Casa dos Braga funciona de segunda a sábado e, se tiver interesse, leve consigo a carta de Rubem a Gil, a qual disponibilizei, por cópia, ao Município, para distribuição.

 

É uma aula a carta, é uma aula a visita, é uma aula a Casa.

 

Textos Esparsos

 

Queixar-se do egoísmo do próximo e não perceber o nosso (Flaubert).

IMBECIS: Todos aqueles que não pensam como nós (Flaubert).

Néscios e burlescos serão aqueles que procuram acercar-se de prerrogativas que não têm (citado por Lima Barreto).

Viva de tal modo que quando seus filhos pensem em justiça, carinho e integridade, pensem em você (H. Jackson Brown).

Pecado é igual a cartão de crédito: Você peca hoje, peca amanhã, peca depois, só que a fatura chega no fim do mês (Pr Abraão Daniel).

Acabe com o péssimo método da lavoura de destruir matas e esterilizar terrenos

(José Bonifácio de Andrada e Silva, em 1823).

Adoro falar com as paredes. São as únicas no mundo a não me contradizer (Oscar Wilde).

Todo o prazer é um vício (Fernando Pessoa).

O papel do escritor é o de "falar" o menos possível (Clarice Lispector).

O descontentamento é o primeiro passo para o progresso de um homem ou de uma nação (Oscar Wilde).

Quando as pessoas concordam comigo, sempre acho que devo estar enganado (Oscar Wilde).

Existe um momento em que as coisas que sempre foram assim simplesmente deixam de ser (Fernando Gabeira).

A água de boa qualidade é como a saúde ou a liberdade: só tem valor quando acaba (Guimarães Rosa).

Não me incomodo que me chamem de romântico... o que não gostaria é que me chamassem de ladrão, adulador e desleal (Lima Barreto).

Estamos aqui para fazer troça, pilheriar contra a humanidade; mas não para atravancá-la com perseguições e maldades (Lima Barreto).

A melhor maneira de combater a violência e a insegurança é melhorando a qualidade dos BAIRROS (Gustavo Restrepo, urbanista).

Melhor ser um ser humano insatisfeito que um porco satisfeito (Stuart Mill).

Estamos aqui sentados, vendo como matam nossos sonhos (Eduardo Galeano).

Não sei qual a chave do sucesso, mas a chave do fracasso é tentar agradar a todos (Bill Cosby).

Difícil perceber o mal na sua origem, pela ilusão que causam as coisas novas (Maquiavel).

Discutem os sábios sem certeza. Os imbecis atacam de surpresa (Millôr Fernandes).

Não há nada de mais lamentável, nada de menos sábio, que um medo antecipado (Sêneca).

 

 

 

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