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Trânsito

Por Marcelo Schwan

14.07.2017

 

 

 

Eu percebo que o tempo me tem feito um sujeito mais paciente e flexível – se bem que eu não sei se essa opinião é compartilhada pelas pessoas que me conhecem. Contudo, alguns fatos cotidianos possuem a capacidade de rapidamente me tirar do sério e acender meu pavio, que já não é muito comprido por natureza. Aconteceram dois fatos interessantes e ao mesmo tempo antagônicos ontem, no trânsito de Cachoeiro, e um deles me fez tomar uma atitude – vejo agora – precipitada.

 

O primeiro foi no início da tarde, eu estava voltando da Banca da Teresa e o sinal para atravessar a faixa da Ponte Carim Tanure estava fechado para nós, pedestres. Em um dado momento o fluxo de carros que seguiam para a Costa Pereira diminuiu, e aproveitando a brecha alguns pedestres mais afoitos se arriscaram, avançando pela faixa, mesmo com o sinal vermelho para eles. Vinha, então, uma moto – não era uma moto pequena, devia ter umas 500 cilindradas – pilotada por um rapaz muito jovem. Pensei, vai dar zebra.

 

Para minha surpresa o motociclista – notem bem, não era motoqueiro – parou a moto no espaço reservado para ela, e esperou pacientemente as pessoas acabarem de cruzar a faixa. Fiquei mais surpreso ainda quando uma dessas pessoas que estava no meio do caminho se virou para ele e disse uai, pode vir, está aberto para você! Fiquei só olhando, tentando entender a atitude da mulher. Depois que as pessoas atravessaram, o sinal ainda verde para os veículos, a moto seguiu seu caminho, tranquilamente e sem aceitar a provocação recebida.

 

Já no final do dia, voltando para casa, iria atravessar a Ruy Barbosa, indo da esquina do Banco do Brasil para a da Ricardo Eletro. Passava um pouco das seis da tarde, e o trânsito apresentava a costumeira confusão da hora do rush em Cachoeiro. De novo o sinal estava fechado para os pedestres, mas dessa vez quem ia atravessar esperava pelo sinal verde. O fluxo de veículos estava muito intenso, não permitindo que alguém se aventurasse.

 

A fim de não ficarem atravessados na via, correndo o risco de interromper o trânsito na Praça Jerônimo Monteiro, alguns veículos aguardavam antes da faixa, para que os da frente prosseguissem. E o semáforo continuou sua contagem regressiva, até que, faltando 4 segundos para fechar para os automóveis, os da frente começaram a andar. Eis que um motorista de ônibus ignorou o sinal, que então já estava no amarelo, acelerou mas em seguida teve que parar, bloqueando a faixa de pedestres.

 

Quem quisesse atravessar tinha que passar em frente ao ônibus, junto ao fluxo de veículos da Capitão Deslandes, ou por trás, por entre as motocicletas. Meu pavio acendeu, fui até a porta do ônibus e bati duas ou três vezes. Motorista e trocadora se viraram e me olharam; fiz sinal de tinindo para eles, com os polegares para cima. Em seguida, bati palmas e disse muito bem, você está de parabéns. Virei-me e fui embora.

 

Um motociclista teve uma atitude civilizada, educada e um motorista profissional agiu de maneira descuidada e irresponsável. Mudança de paradigmas e um pedestre irritado.

 

 

 

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