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Sem título

Por Marilene Depes

11.10.2017

 

 

 

Sem título para não desagradar aos mais sensíveis – “enterrar os mortos”. E enterrar no sentido de fechar em definitivo os ciclos da vida e desvencilhar-se do que passou e que não volta mais.

 

Exemplifico com situações concretos. Quem não se sente feliz com a vida, com o casamento ou seja lá o que for e que fica se lamentando sobre o tempo alegre da sua juventude, do carinho que recebeu dos pais, de um grande amor que não se concretizou, e etc e tal, vive o presente amarrado ao passado. Ou quem perde um emprego e não se conforma, ou fato mais deprimente – considera o serviço público eterno, que a sala em que trabalha é sua, que a mesa em que se senta lhe pertence por direito, e que ao ser dispensado não consegue nem desocupar as gavetas, e passa anos lamentando a injustiça e desrespeito que fora vítima. Ou quem perde um ente querido e não se permite retornar a vida – a dor é real e merece ser respeitada, porém viver o luto eternamente a ponto de desapegar-se da própria existência e da dos outros familiares é atitude a ser reavaliada. A dor só é compreendida por quem a sofre, porém lutar contra ela é prova de coragem e respeito pelos demais que ainda vivem. Ou o final de um relacionamento, quando há muito amor envolvido por uma das partes, e o luto que se vive é unilateral -  é necessário reconhecer que acabou e dar um basta, um ponto final na relação mesmo sendo difícil, mas enquanto não se decide enterrar quem motivou a separação, fica-se atrelado a uma ilusão e cria-se esperanças que apenas prolongam a dor.

 

O que significa enterrar os mortos no sentido metafórico? Tentar esquecer, criar outras expectativas, apegar-se a novos objetivos e personagens num roteiro em que se sinta vinculado. Permitir que outras pessoas escrevam nossa história é nos conceder um atestado de incompetência.  Uma atitude sábia é tomar posse concretamente do fato de que a vida nos pertence e a Deus, que a concedeu para se vive-la em plenitude, o que só é possível com o discernimento e sabedoria para enterrar os mortos, reais ou fictícios, no momento certo e em definitivo. E ponto final.

 

 

 

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