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Tiro no pé

Por Maurílio Carvalho

13.09.2017

 

 

 

Logo que foi noticiado o acordo de leniência da ProcuradoriaGeral da República com a JBS – um absurdo, diga-se de passagem – escrevi aqui um texto intitulado “A era petista e a JBS”, em que questionei o fato das empresas dos irmãos Joesley e Wesley Batista deverem aos cofres públicos SEIS BILHÕES e DUZENTOS MILHÕES em impostos, e assim mesmo serem beneficiados com uma delação mega-premiada.

 

Questionei ainda o fato de Joesley Batista ter recebido treinamento de 15 dias da própria ProcuradoriaGeral da República para gravar conversas com o presidente da República Michel Temer e o senador Aécio Neves, deixando de lado os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, principais responsáveis pela ascensão supersônica dele e do irmão, via financiamentos do BNDESe outros incentivos bancados com os cofres públicos, o que possibilitou que eles passassem de um faturamento anual de 40 milhões, em 2003, para cento e setenta bilhões em 2016.

 

A cegueira do procurador Rodrigo Janot em cima de Michel Temer era tanta que ele não conseguiu enxergar aquilo de mais básico que qualquer um bom observador político via. E a armação acabou dando no que deu. Quase que Joesley Batista enrolou o próprio Rodrigo Janot. Como dizem no popular: quase deu ruim para o lado de Janot. Ele deu um tiro no pé e as gravações que Joesley diz ter no exterior podem enrolar não só o próprio Janot como também ministros do Supremo Tribunal Federal e outras autoridades, como o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo.

 

Agora, a farsa acabou. Joesley e o lobista da J&F/JBS Ricardo Saudforam presos, a pedido do próprio Rodrigo Janot, e o procurador Marcelo Miller, que teria ajudado no “treinamento” de Joesley, já que fazia parte do grupo de Rodrigo Janot, também corre o risco de ser preso – aliás, se não fosse o corporativismo da Procuradoria Geral da República, que ao invés de passar para a Polícia Federal o depoimento de Marcelo Miller, preferiu indicar um procurador regional do Rio de Janeiro para ouvi-lo na semana passada, ele já estaria atrás das grades.

 

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Uma pergunta que não quer calar: se no Nordeste, reduto dos eleitores de Lula, o petista só viu bom público nos estados e municípios em que governadores e prefeitos aliados pagaram ônibus, lanche e cachê para a plateia; se os locutores dos comícios de Lula pelo Nordeste tiveram de ser escolhidos a dedo dentre integrantes do MST, para que ele não fosse vaiado ou para que ninguém entoasse a musiquinha “Lula ladrão, seu lugar é na prisão”; e ainda, se como estratégia da caravana de Lula pelo Nordeste para que ele não fosse hostilizado era fazer reserva em dois hotéis usando apenas o 1º e o último nome do petista (Luiz Silva), onde é que Lula tem eleitor para colocá-lo em primeiro lugar numa possível disputa à Presidência da República no ano que vem?

 

 

 

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