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Nietzsche dizia que "o ser humano é um ser paradoxal, são e doente: nele viveriam o santo e o assassino". Há quem diga também que o ser humano é, contraditoriamente, sapiente e demente, anjo e demônio, diabólico e simbólico. 

Já Freud diria que o ser humano abriga dois instintos: um de vida e outro de morte. O primeiro ama e enriquece a vida, e o segundo busca a destruição e deseja matar. Talvez por isso Einsten tenha questionado o Pai da Psicanálise:  "Existe a possibilidade de dirigir a evolução psíquica a ponto de tornar os seres humanos mais capazes de resistir à psicose do ódio e da destruição. Podemos superar essa dilaceração no humano?"

A resposta: "Não existe a esperança de suprimir de modo direto a agressividade humana. O que podemos é percorrer vias indiretas, reforçando o princípio de vida (Eros) contra o princípio de morte (Tânatos). Esfaimados, pensamos no moinho que tão lentamente mói que poderemos morrer de fome antes de receber a farinha". 

 Li essa abordagem sobre o comportamento humano num artigo que provocou reflexões.  Ao que parece, mais do que nunca, estamos vivendo no tempo da psicose do ódio e da destruição.  E a obsessão do momento é provar que a corrupção no país começou recentemente, oriunda de um único partido. Não existem malas, dinheiro na cueca, helicóptero com 500 kg de cocaína, R$ 51 milhões no apartamento, operação presidencial no Porto de Santos, petrodólares.

Percebe-se a defesa de interesses nada republicanos, pesos e medidas diferentes para as mesmas corrupções históricas, o mesmo fisiologismo que lesa os cofres públicos há séculos, praticado pelos mesmos partidos, clãs ou grupos políticos e seus líderes, que hipocritamente, para consumo externo, se apropriam, inadequadamente, do discurso de paladinos da moralidade. Moralidade que nunca existiu. 

É ilógico tentar acompanhar as discussões pelas redes sociais. São muitas contradições envolvendo a política e seus personagens, que ditam regras e interferem na vida de todos nós, para o bem e para o mal, com uma prevalecência absurda pelo mal coletivo, provocado por políticos que teoricamente nos representam.

Voltamos então às perguntas já apresentadas. Seria o ser humano paradoxal de Nietzsche? É o que busca a destruição e deseja matar? Podemos superar essa dilaceração no humano? Confesso que ando cada vez mais sem esperanças de que as coisas se renovem, embora seja impulsionada, cada dia, a resistir, bravamente, para ver se as coisas melhoram.

Mas como, se a agressividade, a intolerância e o desrespeito viraram palavras de ordem? Como, se o jeitinho brasileiro encontra brechas jurídicas para atender interesses privados, em detrimento do interesse público? É realmente paradoxal perceber o incentivo à cultura do ódio, discursos contra a atual situação política do país, como se não fossem também cúmplices muitos que dão entrevistas na mídia. 

Sabe-se que, desde sempre, demandas coletivas são relegadas a planos infinitamente inferiores. Prevalecem os desejos pessoais e familiares de uma casta espalhadas pelos poderes constituídos. Tripartição para quê? É tudo junto e misturado, num grande toma lá, dá cá que quebrou o país. Vale repetir incansavelmente: "Podemos superar essa dilaceração no humano?"

 


Dayane Hemerly Repórter Jornal Fato

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