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Flamboyant

Por Sergio Damião

14.11.2017

 

 

 

Nunca fui afeito às coisas de casa, animais, pássaros... Nem mesmo na infância ou adolescência. Mas, desde que iniciei com as crônicas, anos atrás, passei a observar melhor as árvores, praças, parques e detalhes de ruas por onde caminho. Na Br 101, apesar da morte nos rondar a todo instante; apesar de insensatos motoristas em carros de passeio; apesar da agressão dos blocos de mármores e granitos dançando na carroceria de caminhões e a qualquer momento sermos surpreendidos com um paredão de pedra à frente dos nossos carros; apesar da insensibilidade e incompetência do Governo Federal com as nossas estradas; apesar da leniência do Governo Estadual; apesar do uso e abuso da concessionária ECO 101 (mau cuidadora da nossa Br); apesar da falta de alternativas para o transporte de cargas em nosso estado e Brasil afora; apesar de terem destruído nosso melhor transporte (ferrovias) para privilegiar empreiteiras do Brasil; apesar de tudo, na Br 101, encontra-se beleza, de Cachoeiro a Vila Velha: encontramos flamboyants em nosso caminho.

 

Na primavera elas se sobressaem. Em outubro, novembro e dezembro elas colorem e alegram nossa estrada. O flamboyant e o Frade e a Freira aliviam a imagem dos blocos de pedra nas carrocerias dos caminhões. A Delonix regia Raf, flamboyant ou acácia-rubra, planta tropical leguminosa, árvore exótica, de grande porte (mais de 10 metros), de copa extensa, com frutos secos e floração intensa, deixa a paisagem inebriante: ora avermelhada, ora levemente amarelada, tal qual a pintura de um quadro. Trazida por D. João VI, no início do sec. XIX. Adaptou-se ao calor e ao sol. Além da Br, onde se destaca, é bem apropriada para quintais e parques. Em Cachoeiro, ao longo do rio Itapemirim, também podemos apreciá-las. Por ser chamada de acácia-rubra, com um significado de “afeição pura”, as flores dessas acácias eram usadas nos tempos antigos, junto com as pétalas de rosas, para saudarem as coroações de faraós egípcios, reis e imperadores.

 

Tudo isso que vemos em nossas estradas e nas ruas de nossas cidades são belezas não planejadas. Uma arborização aleatória. Fruto de uma natureza exuberante. Em Cachoeiro, o PDU, antigo PDM, de 2006, na seção VIII – Da Arborização Urbana, cita, mas não especifica a arborização. Sempre as olhei com os olhos do cronista, observo apenas a beleza, a força das suas raízes, seu tronco, nunca para os riscos, na verdade sem os olhos técnicos. Sendo assim, nunca pensei na mais apropriada para o local onde vivemos. Nunca olhei com os olhos das necessidades das moradias, lojas, calçadas, fiação, prédios e presença dos outros seres vivos (alguns trazendo riscos para a saúde das pessoas). Isto é, apenas olhava aquilo que me encantava. Estamos próximos da revisão do PDU (Plano Diretor Urbano) de Cachoeiro. Decisões dever se tomadas para o futuro urbanístico do nosso município. Primeiro as pessoas, depois pensamos no financeiro. Precisamos incluir, na discussão, um Plano Diretor de Arborização. Planejar as árvores apropriadas para a nossa região urbana, conversar sobre a oiti - suas folhas têm capacidade de absorver poluentes do ar; ipê - raízes fundas e bela floração; e a aroeira - seus frutos atraem pássaros para a cidade. Além do pau-brasil - símbolo do país e faz sombra sem ocupar tanto espaço.

 

Sergio Damião Santana Moraes

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