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A oração dos nossos dias

Por Simone Lacerda

12.10.2017

 

 

 

Vão-se sonhos nas asas da Descrença,
Voltam sonhos nas asas da Esperança.

Augusto dos Anjos

 

        O que nos motiva continuar sonhando? Por que investimos em algo mesmo que as marés insistem ir em direção contrária? O que nos leva acreditar que o amanhã virá em melhor medida? E o que não nos cabia, hoje, fomenta uma tal crença que, depois, pode se apresentar sob medida ou de maneira mais folgada, mais leve?

 

       Muitos revelam que isso é a fé, um firmamento nas coisas que não se podem ver, todavia, sabem que acontecerão, talvez, uma certa resiliência, um comprometimento com a esperança de que seremos capazes de sair bem melhor de todos os problemas. O ser humano se mostra “mestre” nisso.

 

         A gente é capaz de reinventar outras ideias, outros desejos e outros olhares para um mesmo objeto, fomentando um novo desenho de sujeito. Mesmo que nossos dias se criem no caos, damos um jeito de propagar, como em pó no ar, que os sentimentos vão mudar e que, de repente, tudo escorre e se ajeita de outra forma.

 

      E isso também é a beleza de cada um de nós. Somos o resultado de tantas experiências, nem sempre as melhores, mas que nos transformaram em um ser muito mais legítimo, podendo dizer mais corajoso para os próximos passos, para as desordens que, sem dúvida, habitarão em nossos dias.

 

      A natureza nos ensina tanto. As tempestades de verão são capazes de mudar qualquer cenário como também as constantes temporadas de secas, e aí a natureza nos mostra que é possível começar de novo e, enquanto tiver resquício de vida, folhas que se espalham no vento, flores brotando das paredes mais lodosas ou empedradas, há a possibilidade.

 

        Não fugimos desse cenário, somos capazes de subverter os mais danosos dilemas, escamotear o que se mostrou tão improvável e não se resignar. O homem é mais capaz do que se supõe, é além dos rascunhos e dos fragmentos de poesia que pousaram naqueles minúsculos versos.

 

        Nada de negar uma fé que reside cá dentro, mesmo que o solo esteja seco por conta de um denso inverno. As mudanças climáticas das estações constroem a certeza de uma natureza sempre em mudanças e de seres vivos que se adaptam a todas elas para que consigam resistir.

 

       Mesmo tendo a vida enraigada nas imprecisões, o homem é dotado de uma força que se presentifica no invisível e o alimenta na contínua crença de que haverá um outro sol, um outro dia, uma outra ordem, uma outra verdade, uma vida que não se desprende das árvores, como as folhas, mesmo nas tardes mais invernais.

    

 

 

 

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