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Capixabas criam cão guia robô para ajudar deficientes visuais

20.12.2016

 

 

 

 

Redação

 

Os cães-guias significam mais autonomia e qualidade de vida para deficientes visuais. Porém, apresentam inconvenientes como os altos custos para treinamento, as restrições para entrada em alguns ambientes, tempo curto de vida dos animais e despesas e trabalho quando ficam doentes.

 

Pensando em colaborar com os deficientes visuais de maneira mais assertiva, prática e econômica, uma equipe de pesquisadores no Espírito Santo está desenvolvendo um robô cão-guia.

 

Batizado de Lysa, o robô está em fase final de desenvolvimento e a intenção é aperfeiçoá-lo para que, em breve, o produto possa estar no mercado.

 

Por isso, a equipe, que deu origem a uma startup, lançou uma campanha de financiamento coletivo. Comandada pela idealizadora do projeto, Neide Sellin, a equipe tem atualmente oito pesquisadores envolvidos na criação do cão-guia robô, todos bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

 

O objetivo é arrecadar R$ 100 mil, para a produção de dez robôs cães-guias que serão doados a deficientes visuais, para que eles possam sugerir melhorias para aperfeiçoar o produto. As doações são feitas pela plataforma Kickante (https://www.kickante.com.br/campanhas/cao-guia-robo).

 

O valor mínimo de doação é R$ 10,00 e quem doar a partir de R$ 10 mil terá seu protótipo garantido. O robô foi apresentado em novembro em evento do Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro onde mais de 120 pessoas com deficiência visual tiveram a oportunidade de conhecer Lysa.

 

 

Cães guias

 

Em todo o Brasil há cerca de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual severa e já existe uma lista de espera de 450 nomes interessados em utilizar o produto, segundo Neide.

 

“A campanha é não apenas para permitir a produção dos protótipos, uma vez que não temos recursos para isso, mas também para fazer com que o robô chegue ao público de forma mais acessível possível”, explica. Se os resultados da campanha de financiamento coletivo forem os esperados, segundo ela o custo do robô Lysa no mercado deverá ficar em até R$ 10 mil.

 

“Os cães-guias convencionais exigem despesas para tratamento e criação, além do custo elevado para adestramento, não sendo portanto acessíveis a muita gente. Calcula-se que hoje no Brasil existam menos de 100 cães-guias”, comenta Neide Sellin. 

 

Ela lembra que devido à insegurança para circular sozinhos, muitos cegos permanecem reclusos em suas residências, deixando de estudar ou trabalhar, o que significa muitas vezes dificuldades financeiras para ele e sua família. “Em muitos casos eles ficam dependentes de outra pessoa, que também tem sua rotina impactada. Estima-se que no Brasil existam 10 milhões de pessoas afetadas de alguma maneira pela deficiência visual. Além dos 6,5 milhões de deficientes em si, há as pessoas que se ocupam deles”, comenta Neide.

 

A aposentada Joelva Gomes, que perdeu a visão na adolescência devido à degeneração macular, é consultora para o desenvolvimento de Lysa. Para ela, a maior dificuldade dos deficientes visuais é escapar de obstáculos que ficam em altura a partir da cintura, como galhos de árvores.

 

“A gente não consegue perceber esses obstáculos com a bengala, dificilmente você encontra algum deficiente visual que não tenha uma cicatriz da cintura pra cima. O robô vai nos dar maior independência e segurança ao nos alertar de coisas que a bengala não percebe, nos possibilitando ir trabalhar, estudar ou se divertir e voltar para casa de forma segura”, diz ela, que é formada em Direito e tem pós-graduação em Docência do Ensino Superior. 

 

A irmã de Joelva, Sandra Pagotto, também é deficiente visual e acompanha a criação do produto. “O robô vai beneficiar principalmente as novas gerações de deficientes visuais, mas mesmo as pessoas de gerações menos habituadas com tecnologia aprendem a utilizá-lo de maneira rápida e fácil”, garante.

 

 

Como é o robô Lysa

 

Com bateria recarregável, o robô Lysa tem funções semelhantes às de um cão-guia convencional. É dotado de dois motores e cinco sensores que avisam ao deficiente visual, por meio de mensagens de voz gravadas, quando há no percurso buracos, obstáculos e riscos de colisões em altura. A intenção é que chegue ao mercado com cerca de 3,5 quilos.

 

O robô começou a ser pesquisado por Neide Sellin em 2011. “Melhorar a vida das pessoas a partir do desenvolvimento de tecnologias era um sonho antigo, que foi ganhando cada vez mais espaço na minha vida. O projeto deu origem a uma startup e hoje estamos todos determinados a finalizar o produto e disponibiliza-lo o mais rápido possível para o mercado”, recorda.  

 

Mais informações sobre o projeto em http://www.caoguiarobo.com.br/

 

 

 

 

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