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Espírito Santo passado a limpo sob a ótica de fatos históricos

A vitimização do povo capixaba é motivo de análise da pesquisa que durou mais de uma década para ser concluída

21.04.2017

 

 

 

O professor José Pontes Schayder faz uma reinterpretação das ‘verdades estabelecidas’ da história do estado (Fotos: Divulgação)

 

Ailton Weller

 

A busca pela desconstrução das versões oficiais do presente e do seu passado da história do Espírito Santo e a reinterpretação das verdades já estabelecidas foram as fontes de inspiração para a composição do livro ‘Passado a Limpo’, escrito pelo professor de História José Pontes Schayder e que será lançado na próxima quarta-feira, às 12h, no auditório doIfes – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo, campus Cachoeiro de Itapemirim.

 

Essa é a terceira obra do historiador, como autor único, e a exemplo das anteriores traz abordagem sobre temas inerentes ao estado. Schayder, em entrevista ao ES de FATO, destaca pontos que considera importantes dessa pesquisa que levou mais de uma década para ser concluída e é distribuída em 516 páginas. Confira a seguir.

 

FATO - Quais os principais, ou principal, objetivos da composição do “Passado a Limpo”?

 

Professor Schayder- Desde 1999, quando comecei a escrever sobre temas ligados à história do Estado do Espírito Santo, meu objetivo sempre foi chamar a atenção do povo capixaba para questões obscuras do seu presente e do seu passado. O que me importa – como historiador – é lançar luz sobre pontos nebulosos, é desconstruir versões oficiais, é reinterpretar verdades estabelecidas.

 

Fazendo isso, espero estar contribuindo para a reflexão crítica da história estadual e, por conseguinte, espero estar ajudando a formar uma boa consciência cidadã.    

 

O que o levou a buscar pelo tema?

 

Num dado momento de minhas investigações, detectei sinais e sintomas de uma grave patologia disseminada por todo o corpo social e político do Espírito Santo: regra geral, os capixabas se sentem discriminados e perseguidos dentro do país, como se o nosso Estado fosse “o patinho feio do Brasil” ou –como também se costuma dizer – “o primo pobre do Sudeste” ou, ainda, “o eterno injustiçado da União”.

 

Com o tempo, percebi que o esporte estadual de um bom número de capixabas é lançar sobre terceiros a culpa por nossos males e nossos problemas, como se sempre houvesse vilões além-fronteiras dispostos a – de má-fé – prejudicar o Estado capixaba.

 

E como o senhor avalia essa tendência?

 

Essa vitimização do povo capixaba, essa posição de se colocar (sempre) como “pobre coitadinho”, não me parecia razoável e – através de minhas pesquisas – pude constatar que a alegada perseguição alheia não passa de... puro mito. Contudo, não se trata de um mito qualquer, trata-se do mito fundador do Espírito Santo, isto é, acredita-se que essa perseguição teve início lá nos primórdios de nossa história, no tempo do velho donatário Vasco Fernandes Coutinho, quando se fincou os pilares de fundação da colonização do solo espírito-santense; tal perseguição, na ótica desta crença mítica, é nosso “mal de origem”.

 

Tudo não passa, porém – reafirmo – de puro mito. É disso que falo, ao longo deste meu novo livro; e falo disso para desmistificar, para dizer que os culpados por nossos infortúnios somos nós mesmos, os capixabas, e não os outros.          

 

Quanto tempo de pesquisa para chegar ao complemento da obra?

 

De pesquisa, foram aproximadamente dez anos; para escrever o livro, gastei mais dois anos, oito meses e seis dias, ou seja, exatos 978 dias, conforme registrei – o leitor verá – na Apresentação da obra. Então, pesquisa e escrita somadas me consumiram quase treze anos; o trabalho, apesar de árduo, foi feito com muito prazer: construir uma narrativa histórica – pelas descobertas que se faz – é algo fascinante.   

 

Quando será o lançamento? 

 

Por esses dias, haverá um pré-lançamento e, depois, o lançamento. OImportante observar que o lançamento ocorrerá dentro da programação da Semana de História promovida pelo curso de História do Centro Universitário São Camilo; a Semana de História seguirá o seguinte eixo temático: “Nas entrelinhas da memória: História e Literatura”.

 

Sobre o autor

 

José Pontes Schayder é professor de História há 32 anos. Atualmente leciona em regime de dedicação exclusiva do Ifes – Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo, Campus Cachoeiro de Itapemirim.

 

Como autor único escreveu os livros: - ‘História do Espírito Santo: uma abordagem didática e atualizada’. Campinas, SP: Companhia da Escola, 2002; ‘Como se tem escrito a história do Espírito Santo’. Cachoeiro, ES: Cachoeiro Cult, 2011. Agora lança ‘Passado a limpo’: o Estado capixaba e o seu mito fundador. Cachoeiro, ES: Edição do autor, 2017, financiado pelo próprio historiador.

 

Serviço:

 

‘Passado a limpo’: o Estado capixaba e o seu mito fundador’

Pré-lançamento - 26 de abril, quarta-feira, às 12 h, no Ifes – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo, Campus Cachoeiro de Itapemirim, auditório B 6

BR 482 (Rodovia Cachoeiro-Alegre) – Fazenda Morro Grande

Lançamento -16 de maio,às 18h30, no Centro Universitário São Camilo, Campus I.Auditório Padre SanzioCicatelli

No pré-lançamento – e no lançamento – a obra será vendida a R$ 40,00; depois, R$ 45,00.

Contato do autor: 99950-2901.

 

 

 

 

 

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