Home      Entrevista

Professor passa quatro dias se alimentando de chocolate

14.07.2017

 

 

 

“Quando gritaram me chamando, pensei que fosse miragem”, conta o professor (Fotos: Alessandro de Paula)

 

Alessandro de Paula

 

Após quatro dias de buscas, uma equipe formada por bombeiros, condutores e brigadistas do Parque Nacional do Caparaó encontrou o professor universitário Antônio Teodoro Dutra Júnior, 43, que estava desaparecido desde domingo quando subia o Pico da Bandeira.

 

Rosca, como é conhecido entre os amigos, sobreviveu ao frio de cerca de zero grau e muita fome. “Passei esses dias todo comendo uma barra de chocolate”, explicou o professor, que deu entrevista à equipe do Fato no pronto-socorro de Guaçuí, para onde ele foi levado.

 

Antônio foi localizado por volta de meio dia de ontem. Segundo a equipe de resgate, ele estava a cerca de 15 quilômetros do pico, perdido no meio de uma mata próximo ao pesque pague Tecnotruta, em Ibitirama. Uma cadela ajudou a localizá-lo, após o grupo encontrar uma meia do professor.

 

Mas a primeira pista sobre o paradeiro do professor foi encontrada na noite de quarta-feira, quando a equipe que fazia as buscas próximo ao leito do Rio Calçado detectou alguns galhos quebrados perto do afluente.

 

Com base nessa informação, as buscas foram retomadas naquele ponto ontem. Uma equipe fez o percurso descendo o rio enquanto outro grupo fazia o trajeto contrário.

 

Foi o grupo que subia o rio que o localizou primeiro, após chegar ao ponto onde Antônio havia dormido de quarta para ontem. Só que eles se desencontraram porque enquanto a equipe de busca seguia pela mata, o professor descia dentro do rio.

 

Mas após encontrar a meia dele, eles perceberam sinais de que Antônio havia passado a noite ali e decidiram retornar. Parte do grupo voltou por dentro da água, alcançando o professor pouco tempo depois.

 

“Quando gritaram me chamando, não acreditei. Pensei que fosse uma miragem”, disse. Após ser encontrado, o professor seguiu com o grupo até uma estrada e depois foi levado para o pronto-socorro de Guaçuí, onde continua sob cuidados médicos.

 

Foi no pronto-socorro que Antônio se encontrou com o pai e seus dois irmãos, que o procuravam desde o desaparecimento. “Pedi para que Deus trouxesse meu filho de volta e ele me deu esse presente”, disse o pai, o ex-prefeito de Manhuaçu-MG, Antônio Teodoro Dutra.

 

Cnfira a entrevista com o professor

 

Antônio com o pai e os irmãos

 

O que aconteceu no dia? Como se perdeu?

 

Eu subi ao pico na frente do grupo. Fiquei um pouco lá no alto. Havia algumas pessoas, mas ninguém conhecido. Desci em direção ao acampamento do lado capixaba, mas quando cheguei a um platô havia muita serração e não achei a marcação. Voltei um pouco e não encontrei nada. Então resolvi descer e foi onde me perdi. Deveria ter subido.

 

 

Como chegou a um ponto tão distante?

 

Quando encontrei o Rio Calçado nascendo lá em cima decidi seguir o curso do rio até encontrar um lugar habitado. Isso foi no domingo, por volta de 10 horas. Caminhei dentro do rio. Algumas vezes eu saía da água por causa das pedras e contornava pelo mato. Fui descendo a passo curto para não me machucar e parava por volta de 16 horas para descansar.

 

 

O que levou para comer?

 

Sobrevivi a esses quatro dias comendo uma barra de chocolate. O último pedaço eu comi hoje (ontem).

 

 

Sentiu muito frio?

 

Eu estava bem agasalhado e isso ajudou bastante. Também foi importante, pois a roupa me protegeu dos espinhos. Mas sentia muito frio. Dormia mal à noite. Quando dava umas 3 horas, a temperatura ia lá embaixo e eu tremia dos pés à cabeça.

 

 

Acredita que sua preparação militar o ajudou a sobreviver?

 

Acho que foi acima de tudo muita força de vontade. O físico ajuda sim, mas eu não tenho nenhum porte de atleta. Eu tinha poucas alternativas, ou entregava os pontos e pulava de cabeça numa pedra ou seguia firme.

 

 

O que sentiu quando te acharam na mata?

 

Eu já tinha andado a manhã toda. Quando gritaram meu nome não acreditei. Olhei e achei que fosse uma miragem.

 

 

 

Comentários


(28) 3511-7481

 

es.fato@terra.com.br

redacao@jornalfato.com.br

 

Faça parte de nosso Facebook!

 

© 2016 Jornal Fato. Todos os direitos reservados.