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Um motorista muito sensível

Era um motorista mediano, um tanto displicente, sempre com um arranhão no carro, aqui e ali


Era um motorista mediano, um tanto displicente, sempre com um arranhão no carro, aqui e ali. Ele era um profissional liberal, solteirão, morava com a sua mãe e a sua irmã.

Toda a sua vida virou pelos ares, quando a sua mãe morreu e ele ficou muito descontrolado, chorando à toa, quando olhava a foto dela, no celular ou com a foto dela no hospital. Era só olhar a foto dela e ele começava a chorar.

Um amigo, ao pegar uma carona com ele, ficou apavorado, porque ele olhou para a foto de sua mãe, começou a chorar e quase bateu de frente noutro carro.

Mas a coisa ficou feia mesmo quando certo dia, ele bateu num carro da polícia que estava parado com três policiais dentro.  Estes se machucaram, saltaram do carro nervosos com um cachorro pit Bull, com as armas já engatilhadas.

Ao abrirem a porta do carro acidentado, viram que o air bag foi acionado, o motorista nada sofreu e ele chorava copiosamente, olhando para a foto de sua mãe.

Os guardas entraram no carro e também saíram de lá chorando.  Chegou outra viatura, com mais guardas, entraram no carro do motorista acidentado e também saíram de lá chorando.

O tenente ao ouvir de um guarda, o que tinha ocorrido, mandou prender o motorista, reter a sua CNH e rebocar o carro. Nisso todos os guardas foram contra o tenente, questionaram a sua ordem, dizendo que o motorista bateu porque foi olhar a foto e descontrolou-se, não sendo justo prendê-lo

O tenente chamou o sargento e determinou que abrisse um processo administrativo contra todos os guardas que questionaram a sua ordem, por desacato à autoridade e por obstrução da justiça.

O motorista foi preso e teve o seu carro rebocado.

Os guardas que desacataram a ordem do tenente foram punidos. Durante um mês eles teriam de marcha 10 km por dia e teriam a sobremesa do almoço suspensa.

Como os guardas reclamaram muito da punição com o sargento da suspensão da sobremesa, ela foi mantida, mas eles teriam de marchar em vez de 10 km por dia, teriam de marchar 13 km por dia e a paz voltou a reinar na Corporação. 


Fernando Fiuza Psicólogo

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