Ela é candidata ao governo do ES. Você sabia? - Jornal Fato
Política

Ela é candidata ao governo do ES. Você sabia?

A microempreendedora Jackeline Rocha é candidata ao governo do Espírito Santo pelo Partido dos Trabalhadores


Jackeline Oliveira Rocha disputa sua primeira eleição - Foto: Emella Simões

Aos 34 anos, a microempreendedora Jackeline Oliveira Rocha disputa sua primeira eleição. Filiada ao Partido dos Trabalhadores há 14 anos, deixa os bastidores para ser a cara do partido na disputa pelo Governo do Estado.

Há exatamente uma semana, ela esteve em Cachoeiro de Itapemirim e concedeu entrevista ao FATO. Foi, basicamente, apresentação de si e algumas diretrizes do programa de Governo, pautado, claro, pelo modo petista de governar.

A principal missão, no entanto, nem é a difícil eleição para o Palácio Anchieta, mas a criação de palanque para inserir a mensagem nacional do PT no Espírito Santo e o cumprimento de estratégia para garantir ao partido a maior bancada possível no Congresso.

Como a entrevista foi concedida antes da substituição de Lula por Haddad, o leitor deve fazer essa abstração.

 


FATO - Por que o PT escolheu o seu nome e não o de políticos que já exerceram mandatos?

Jackeline Rocha - Sou filiada desde 2004, mas já acompanhava o PT desde os 14 anos de idade. Sempre estive do outro lado das articulações. Quando Casteglione foi eleito em Cachoeiro (2008), eu já estava no PT ajudando como jovem na formulação dos programas onde o partido iria participar das administrações em Colatina, de onde venho. Sempre fiz isso de maneira muito militante. Participei de todo o processo na eleição do Lula em 2006, depois na construção do primeiro Congresso Nacional da Juventude do PT, em 2008, também na eleição da escolha do nome da Dilma que foi uma das coisas mais emocionantes na vida. Participo ainda do diretório nacional do PT. Tive oportunidade de conhecer muitas lideranças, não só as que participaram dos governos, mas também de formadores de opinião, intelectuais que não discutem só esquerda, mas os problemas do Brasil em profundidade, com muito compromisso.

 

Mas por que a escolheram?

Foi feita a leitura, dentro do PT, na convenção, de que é momento de apresentar algo novo para a militância. A mesma capacidade de Lula renovar, por exemplo, com Haddad, seria a capacidade do Espírito Santo fazer o lançamento de nova liderança e de renovação, oxigenação dos quadros, através uma mulher, jovem, negra, representando todo o conjunto do se via aflorar não somente dentro da militância, mas também na sociedade aqui no Estado. Foi estratégico, também, porque quando eu falo, sou porta-voz de um projeto. Não é candidatura isolada, projeto pessoal. Está ligado diretamente aos anseios de todos os trabalhadores e, também, na perspectiva do palanque nacional do Lula, Haddad e Manuela aqui no Espírito Santo. A base do programa já havia sido elaborada, a partir do programa do governo de Lula, que foi entregue em julho. Dentro dessas construções, a decisão do nome é algo que o PT sempre leva para o final.

 

O principal objetivo de sua candidatura é ser palanque para o candidato do PT à presidência no Estado?

A nossa candidatura visa ser o palanque do Lula aqui e apresentar o projeto para o Espírito Santo. Não é coincidência quando a gente tem candidatura própria em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e no Espírito Santo. Nosso movimento não é isolado, apesar de que para alguns setores políticos do Estado possa parecer. Quando você olha o mapa do Brasil, a estratégia nacional está relacionada à eleição da bancada federal, dos senadores, para poder de fato ter base se sustentação de governabilidade do próximo mandato. Também à possibilidade de lançar candidaturas ao Governo que possam ter até condições de segundo turno.

 

A candidatura pode não ser movimento isolado, mas o PT ficou isolado no Espírito Santo.
Depende da leitura que faz. Outros candidatos queriam na chapa proporcionais? Com certeza. Nós temos base social enorme. Movimento social que por mais criminalizado que tenha sido, tem representatividade na sociedade. Tempo de TV, que é a menina dos olhos da política. Porém, temos compromisso com a nossa base. Não somos partido estadual. Aliás, qualquer partido é nacional. Temos de seguir as orientações que são discutidas nacionalmente. O que não ocorre muitas vezes com outros partidos. Existiam palanques que se abririam para o Lula aqui no estado do Espírito Santo.

 

Quais?

Nós não poderíamos fazer o que não fosse junto com o movimento nacional. Quando o PT fala que vai ser prioridade discutir com o PSB nacionalmente, tem cartas recomendando isso e tem movimentos. Eu poderia conversar com outros palanques, como ocorre em determinados estados, mas a orientação era da inflexão de centro-esquerda. Nacionalmente nossa coligação foi pro Pros, PCdoB, PCB e resultou na própria neutralidade do PSB. Estamos com eles em 11 estados do Norte e Nordeste. Aqui no Sudeste foram candidaturas próprias.

 

Qual o plano para a Segurança Pública?

O que se vê hoje é resultado de uma Secretaria de Segurança que não muda. Que atravessa gestões, inclusive com o mesmo secretário. De certo que precisa investir em inteligência, no preparo da corporação, não somente dos policiais e sim uma série de profissionais que precisam estar mais bem preparadose capacitados. Outro passo é a informação. Integrar os sistemas de Justiça, respeitando os limites dos poderes. Hoje o Ministério Público funciona de uma forma, a Secretaria de Segurança, de outra. A Defensoria Pública a seu modo e assim por aí vai. Uma de nossas propostas é de combate à criminalização que existe das periferias de forma em que o Estado esteja presente e não do 'Estado Presente'.

 

Como o Estado será presente no seu governo?

Ao combater a criminalidade com ações da presença da polícia e Secretaria de Segurança. Temos que ter núcleo de comando e conhecer as comunidades. Saber quem é o presidente da associação de moradores, da associação de comércio, conhecer as pessoas à volta, trazer a Defensoria, o Ministério Público, Secretaria de Justiça, fazer reuniões e criar fóruns, estabelecer diálogo no local, porque, infelizmente, hoje o que acontece é o inverso. A ligação mais próxima favoreceria o processo da inteligência da polícia. Hoje o núcleo é isolado do que está acontecendo na comunidade. Faz operações que muitas vezes não sabemos qual será o dano para aquela população. Coloca trabalhador que está ali a servir e proteger e pode ocasionar que outro entre em confronto que não tem nada a ver e ter resultados infelizes, fruto da violência e, talvez, de um não diálogo maior.

 

"O eixo do desenvolvimento econômico será a geração de emprego e renda. O corredor econômico irá se passar pelo consumo das pessoas"

 

O reajuste salarial é reivindicação dos servidores públicos. A senhora pretende conceder?

Direito não se retira. A questão salarial de qualquer trabalhador, assim como foi a greve da PM, tem que ser preservada. O que acontece é que o Estado sofreu o ajuste fiscal. Vale ressaltar que em 2016 tivemos golpe, recursos federais em área de Educação, Saúde e Assistência foram congelados por 20 anos. Houve a precarização do trabalho. Hoje você pode até demitir trabalhador efetivo concursado, porque a reforma trabalhista prevê isso. Os estados possuem dívida muito grande. Entretanto, a situação fiscal do ES ainda é controlada. Apesar de que poderia ter outras formas de fazer esse ajuste.

 

De que forma a senhora faria o ajuste fiscal?

Com a reavaliação das isenções das grandes empresas, porque a contrapartida é o polo de desenvolvimento, geração de emprego e renda para o estado, mas quando se demite mais de 600 trabalhadores na área de indústria e você continua dando isenção para as empresas que demitiu mais de 600 trabalhadores, isso precisa ser reavaliado.

 

E para o desenvolvimento regional, o que propõe?

O eixo do desenvolvimento econômico será a geração de emprego e renda. O corredor econômico irá se passar pelo consumo das pessoas. A grande potência do estado do ES para sair da situação do desemprego e atrair a competitividade. Não será somente com obras estruturantes. Na região Sul, temos capacidade de atração turística enorme, mas não temos plano específico do desenvolvimento dessas atrações turísticas para o estado. Os grandes empreendimentos têm parcerias inclusive com o Governo Federal, e o que não faltou durante esses anos foi parceria política. É necessário um plano de emergência.

 

Então o emprego trará o desenvolvimento e não o contrário?

O ES vive em um momento difícil, pois temos um número grande de desempregados. É preciso olhar para as pessoas e fazer um aquecimento na economia local, no desenvolvimento com aquilo que já existe. Tapar buraco e falar que vou trazer para cá novo investimento, que vai gerar 3 mil empregos sendo que tenho 6 mil desempregados entre urbanos e rurais, é uma conta que não vai fechar.  O que está acontecendo hoje é desiquilíbrio entre quem é mais beneficiado e quem não tem benefício nenhum. Pensamos que dentro desse programa é possível criar alinha de crédito específica com juros abaixo do que os bancos privados. Banestes é o Banco do Estado e tem condições de promover transferência de renda, sem promover endividamento.

 

Está preparada para o desafio?

A nossa candidatura, apesar de parecer política-relâmpago, tem consistência, projetos, discussão, quadros qualificados, representantes nas chapas proporcionais inclusive com condições de eleições. São trabalhadores que irão tirar o Estado desse jeito atual e deixar tudo mais próximo, mais justo e igualitário.

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