Bendita maturidade - Jornal Fato
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Bendita maturidade

Sou fora do padrão, por vários motivos


Sou fora do padrão, por vários motivos. Creio que desde sempre. E confesso que durante muito tempo isso me causou dor e sofrimento. Hoje não mais.  

Consigo me ver exatamente onde deveria estar, sem choro nem vela. No tempo e lugares exatos. Era fora do padrão nos tempos da adolescência e juventude porque gostava de ouvir silêncios em tempos de algazarra e agitação. Eu me enxergava sob o olhar dos outros. Esperava condescendência. Hoje exijo respeito.

Entendo mais do que nunca que padrão aceitável é o que me faz feliz, lúcida e sóbria (aceito momentos de insanidade, porque não?), sem ter que provar nada a ninguém. Bendita maturidade. Sou fora dos padrões quando percebo que coisas supervalorizadas por outras pessoas não têm a menor importância para mim. Nem me batem a passarinha, como diria minha avó. Zero na escala de prioridades.

A visibilidade e importância que me interessam são as proporcionadas pelo resultado de um trabalho bem feito. Pelas marcas deixadas ao longo do caminho e que fizeram diferença na vida de alguém, pelas parcerias construídas e que resistem ao tempo. Nada além disso.

Ou melhor, quero a felicidade que aumenta o brilho no olhar após o encontro com amigos ou reuniões de família, tão preciosos para mim. Simples, né? Tão simples que parece insignificante. Mas é o que busco, cada vez mais e melhor, com intensidade e paixão. 

Porque se tem uma coisa que faço questão de manter acesa é essa chama que faz o coração acelerar e o rosto corar diante de projetos e sonhos ainda não alcançados, mas que continuam na lista de prioridades.

 Paixão pela vida, pelo trabalho, por Deus, numa fé que precisa ser retomada e fortalecida, pela família e pelos amigos. Aprendi e aprendo todos os dias. "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena". Mas hoje esse tudo tem que passar pelo meu crivo. Nada mais será à minha revelia. 

A maturidade é ou não uma benção? E a vida segue seu curso. E eu navego por mares nunca dantes navegados, de alma leve e coração acelerado. E com brilho intenso no olhar.

 


Anete Lacerda Jornalista

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