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Não passa despercebida a qualidade da obra do novo hospital UNIMED


Mexendo em papelada antiga, deparei-me com a revista SETE DIAS de 07 de julho do ano passado - matéria de capa e duas páginas internas (16 e 17), sobre o NOVO HOSPITAL UNIMED, hoje em construção próximo à BR-101 e frente à malfadada Vila Olímpica.

A matéria da revista conclui com fala do presidente da UNIMED, nestes termos: - "Este projeto foi desenvolvido para o tamanho atual e futuro da cooperativa. O objetivo principal é oferecer uma melhor assistência em saúde com qualidade, segurança e conforto", conclui o presidente da UNIMED.

Não passa despercebida a qualidade da obra do novo hospital UNIMED, sendo certo que seus dirigentes buscaram, sim, como disse o presidente, projeto para o "tamanho atual e futuro da cooperativa".

Lembro, porque é necessário lembrar, que bem antes, diretoria anterior da UNIMED, pretendeu que tais obras de Hospital - ampliação - se dessem no atual prédio do Hospital da UNIMED, bairro Gilberto Machado, não estando atenta a anterior administração para o fato de que ali já era local super movimentado, onde não mais cabia hospital, onde não haveria "uma melhor assistência em saúde com qualidade, segurança e conforto".

Pois bem, ante o silêncio da maioria esmagadora da cidade, principalmente dos administradores públicos, inclusive prefeito e maioria da Câmara, não restou a este Vereador, então apenas advogado, lutar na Justiça para que tal não acontecesse, ante a infringência de toda a legislação municipal, e - pior - ante a aprovação inconstitucional de lei municipal que era apenas dirigida para resolver o "problema" da UNIMED.

Venci a batalha, tive a honra de ter meu processo de defesa do urbanismo de Cachoeiro reconhecido até mesmo por alguns dirigentes atuais da UNIMED, o que muito me honra. Poucos agiriam assim - e o resultado é a estupenda construção a jusante da cidade, em área imensa, de fácil acesso e com tudo o que o amontoada da pracinha da UNIMED - Praça Gilberto Machado - de há muito não permite.

 

HOSPITAL EVANGÉLICO (2)

Agora, soube pela imprensa, que a prefeitura pretende doar duas áreas de terreno para que o Hospital Evangélico, de tantas tradições entre nós, possa ampliar a área construída - o projeto de lei já chegou à Câmara.

Nada tenho contra o Hospital Evangélico; ao contrário, tenho muito a favor dele; e tenho lá dezenas de amigos da melhor qualidade. Torço para que tudo de certo, e, ainda, que tudo esteja nos conformes urbanísticos, como está, hoje, o futuro Hospital da UNIMED, e como não mais está o atual Hospital da UNIMED.

Adianto que, para fazer este texto, preferi não ler o projeto que já está na Câmara. Vê-lo-ei no momento oportuno de Vereador e espero - sinceramente - que não seja algo semelhante àquele projeto de lei inconstitucional da UNIMED, da administração Casteglione, em tempo barrado pela JUSTIÇA, pela UNANIMIDADE do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESPIRITO SANTO. Julgamento não contra o futuro da UNIMED, mas contra o abuso de legislações inconstitucionais que nos acostumamos a aprovar na cidade para, depois, ter de consertar a alto custo para o povo, povo sempre enganado.

Espero que já esteja no projeto, dentre outros, demonstração de que ali se pode construir imóveis desse porte, que o trânsito horrível do local tenha - já - solução, para quando concluídas as construções, além de tantas outras questões legais de urbanismo, desconsideradas propositalmente pela administração passada.

Espero - sinceramente - que agora seja diferente, mas se não for, se no projeto contiver ilegalidade, espero, também sinceramente, que o projeto volte ao Executivo para reformulação. Fora disso, é trocar alhos por bugalhos, é ser como a absurda administração anterior escorraçada pela votação humilhante que obteve.

 

FECHANDO O DISCURSO (3)

E para os que acham que eu sou chato, contra o progresso, contra a saúde, contra as boas coisas para Cachoeiro, peço, não sem veemência, mas com muita seriedade, que consultem, antes, os atuais dirigentes da UNIMED e, se possível, façam visita ao novo HOSPITAL UNIMED e vejam se ele caberia próximo à Praça Gilberto Machado. E digam o que for o caso, de público.

Ia terminar por aqui, mas tenho que fazer reflexão final, senão estarei fazendo só literatura:

LEMBRO-ME:

- Da tragédia de São Vicente, Cachoeiro, há dez anos;

- De Brumadinho, com centenas de mortos em janeiro;

- Dos contêineres do Flamengo, em fevereiro, com 10 mortos e mutilados;

- Da tragédia de Mariana e de tantos outros acidentes pavorosos, tudo já acontecido, e aconteceu, principalmente, pela leniência de cidadãos e autoridades.

Em Cachoeiro, não me sai da cabeça o que pode estar acontecendo por debaixo do calçadão da Beira Rio, nas suas ferragens;

- Também não me sai da cabeça as imagens das 20 pranchas do CEMADEN/CPRM, dez anos de produzidas, mostrando os imensos perigos de construções atuais em nossos morros e na beira de rio; não se fala mais nisso. Tudo mediante descumprimento do PDM, ou na existência de PDM desonesto e inconstitucional.

(A prancha do Zumbi, o mais populoso bairro da cidade, está reproduzida na página).

TUDO me faz impulsionar para a constatação de que não devemos nos calar na coisa pública, ainda que eventualmente possamos errar. Por isso não me calo, mesmo sem ter lido, ainda, o projeto de lei objeto deste texto- vez que é muito além dele este meu texto.

Espero que o projeto não esteja no mau caminho, mas, se estiver, espero que os Vereadores cumpram seu dever.

Bondade nossa em proteção da maldade dos outros é maldade multiplicada por mil.

 

PRA ENTENDER MELHOR (4)

Faço, nesta CONEXÃO MANSUR, edição 543, o que geralmente não faço, ou faço poucas vezes: misturar o ofício de cronista com o ofício de vereador em Cachoeiro.

Os textos acima (1, 2 e 3) são meu discurso de Vereador na última terça (12 de fevereiro), com pequenas adaptações jornalísticas. Nele fiz histórico especifico de construções hospitalares na cidade, mas o interesse vai muito mais além disso.

Achei prudente publicar meu discurso nesta CONEXÃO, vez que - como se sabe - abriram-se os trabalhos para a confecção de novo Plano Diretor do Município de Cachoeiro, PDM.

PDM é lei da qual todos falam bem ou mal, quando é aplicado. Mas é lei aprovada quase sempre sob silêncio sepulcral. Essa é das piores faces da legislação: - poucos se importam como ela é produzida; e só reclamam quando não adianta mais, quando chega a tragédia.


Redação FATO Equipe do Portal Grupo de Comunicação

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