Há esperança? - Jornal Fato
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Há esperança?

Uma moça de 21 anos, numa UTI em Goiânia, entubada e com os braços contidos, foi estuprada por um técnico de enfermagem


Leio a notícia que me deixou revoltada, e tentando entender como é possível um ser humano chegar ao extremo do sadismo e da desumanidade. Uma moça de 21 anos, numa UTI em Goiânia, entubada e com os braços contidos, foi estuprada por um técnico de enfermagem durante uma hora. A prova do crime, registrada na câmera de segurança, mostra a vítima, mesmo debilitada, fazendo movimentos tentando desvencilhar-se do agressor. Ela veio a óbito e algumas questões inquietam: o agressor tinha conhecimento das câmeras de monitoramento e pouco se importou? O desejo sádico que o possuía estava acima de qualquer cuidado? Não havia nenhum outro plantonista no local? As câmeras não estavam sendo monitoradas por alguém da segurança? O setor de RH que contratou o funcionário aplicou testes de sanidade mental? E outro pesadelo é divulgado: uma adolescente de 17 anos também sofre abuso sexual, enquanto internada num hospital em São José do Calçado. Quantos casos mais de que não tomamos conhecimento?

Quando leio notícias como essas penso nas minhas filhas e netas e por extensão em todas as mulheres. Até quando sofreremos impunemente esse tipo de violência? O Espírito Santo encabeça um lastimável segundo lugar em números de feminicídios no país. Temo que com a liberação das armas aumente muito mais os dados, que já são alarmantes. Segundo o IPEA, morte de mulheres dentro de casa cresce 17% em cinco anos. Quando se dá um passo à frente através de políticas públicas assertivas, tem-se a impressão que muitos mais são dados para trás.

E uma notícia me trouxe algum alento: No Município da Serra é aprovada lei que impede agressores de mulheres assumirem cargos na Prefeitura e na Câmara Municipal. As demais Prefeituras e Câmaras do Estado podem aprovar lei idêntica, e as empresas privadas utilizar a mesma conduta. Basta que setores de RH apliquem testes psicotécnicos e exijam atestados de bons antecedentes Constituir-se-á mais uma rede a fim de solucionar a grave questão da violência contra as mulheres. Na nossa empresa eu as oriento a não admitirem nenhum tipo de assédio, gracinha, abuso, intimidade e elogios que possam causar constrangimento. Exijo respeito por mim e por todas. Não seria uma boa prática nas demais? 


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